A Missão Integral
Reflexão sobre o texto: A Missão Integral (Kivitiz, 2009)
A Missão Integral, segundo este texto, é a visão holística daquela que é a grande comissão da Igreja do Senhor na terra: “Ide por TODO o mundo e pregai o evangelho a TODA a criatura.” (Mc 16:15). É obrigação de todos os crentes em Jesus fazer o Seu nome conhecido, para que mais e mais pessoas coloquem Deus no lugar que lhe é de direito, ou seja, o de Senhor. De cada vez que uma alma se converte, o Reino de Deus progride na Terra porque significa que mais uma parte da humanidade rejeitou o reino das trevas e rendeu-se à soberania de Deus. Sabemos que todo o joelho se dobrará um dia (Rom 14:11) mas isso não significa que possamos descansar na promessa futura de que Jesus reinará definitivamente na Terra. Deus, nas três pessoas do Pai, Filho e Espírito Santo são dignos de todo o louvor adoração hoje e por isso temos, enquanto Igreja, de levar mais e mais pessoas a Cristo. Claro que enquanto estivermos a fazer isto estaremos a fazer o maior bem que se pode fazer a uma pessoa condenada e eternamente separada de Deus, mas o foco principal está na restauração da relação da humanidade com Deus e da soberania de Deus sobre a humanidade. O contributo de cada filho de Deus pode parecer ínfimo aos nossos olhos mas não é de todo desprezível aos olhos de Deus. Deus não faz as contas da mesma forma que nós. Esta visão obriga-nos a abrir os nossos horizontes de proclamação do evangelho. É urgente proclamar a Sua mensagem ao maior número de pessoas possível.
Tenho que concordar plenamente com a proposta da Missão Integral para a visão que a Igreja deve ter acerca da evangelização, mas creio que esta ideia não está muito em voga no seio da comunidade cristã que me é mais próxima e talvez aconteça nos países desenvolvidos em geral. Ouvem-se dizer coisas como: “o tempo das grandes campanhas evangelísticas acabou, o método mais viável é a evangelização pessoal”. Esta forma de pensar leva a concentrarmo-nos em fortalecer as igrejas dentro das suas paredes, quando a melhor forma de faze-la crescer em número e santidade é lá fora, falando aos outros. Ficamos satisfeitos com os baixos números de almas que se salvam em cada ano. Refugiamo-nos na adversidade dos tempos, acabando por baixar os braços. Em vez de atacarmos “as portas do Inferno” (Mt 16:18) estamos à defesa e a perder terreno para o inimigo. Como diz o texto, e bem, a salvação é pessoal mas não individual. Claro que a envangelização pessoal deve acontecer como parte do crescimento espiritual de cada um que se diz filho de Deus e devemos ser sal e luz no trabalho, famlília, etc., mas a comissão da Igreja não pode ficar reduzida a isto. A Igreja é o veículo de progressão do reino de Deus.
Dito isto, resta-me colocar joelhos e pedir perdão pelo que não tenho feito. Só de algum tempo a esta parte é que a minha mente e coração se têm aberto esta ideia mais “calvinista” da soberania de Deus. Há coisas difíceis de entender quando tentamos ver “the big picture”, mas é maravilhoso pensar na nossa posição em Cristo e do nosso papel na história do Universo. Que eu seja como o profeta Isaias, que depois de contemplar o Trono de Deus, sinal de soberania, teve que render-se e dizer: “Eis-me aqui, envia-me a mim.”

Em primeiro lugar, parabéns pela iniciativa do blog. Espero que encontres sempre energia para o manter!
Uma questão:
“De cada vez que uma alma se converte, o Reino de Deus progride na Terra porque significa que mais uma parte da humanidade rejeitou o reino das trevas e rendeu-se à soberania de Deus.”
Não querendo enveredar por uma questão epistemológica sobre os conceitos como “converter”, “Reino de Deus” e “reino das trevas”, gostava de ler um comentário teu sobre a dicotomia que encontro na frase acima.
Existem outras possibilidades para além de “Reino de Deus” versus “reino das trevas”?
Se uma pessoas rejeitar o “reino das trevas” está a entrar, inscientemente ou não, o “Reino de Deus”?
Olá!
Muitos conceitos aí em cima podem parecer estranhos mas fazem parte do vocabulário “evangélico” – envangeliquês, se lhe quiseres chamar isso. O texto foi escrito a pensar em pessoas que entendem esta linguagem, mas ainda bem que leste e vou tratar de responder à tua dúvida e mais que apareçam
.
A resposta à primeira pergunta é não. Não existe outra possibilidade. Ou a pessoa faz parte do Reino de Deus ou não faz e está em trevas. Não é que haja automaticamente algo de extremamente horrível e maléfico nela, mas porque qualquer pessoa será sempre “má” segundo o padrão de Deus. Gosto da tradução em inglês de Romanos 3:23 que diz: “for all have sinned and fall short of the glory of God.”. Fall short, ou seja, não chega à glória de Deus.
Respondendo à segunda pergunta, é quase isso mas ao contrário. Não é por uma pessoa rejeitar o reino das trevas que vai entrar no Reino de Deus. Antes, é só quando uma pessoa aceita o reino de Deus que vai deixar de estar em trevas. Como diz aquele versículo, e agora pode ser em português, “Quem crê nele não é julgado; mas quem não crê, já está julgado; porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.” João 3:18
Pode parecer injusto, mas não é. Cada um paga apenas pelo que faz. Além disso, há uma boa notícia no meio disto: é que de facto há uma possibilidade de pertencer ao Reino de Deus! É crer que Jesus, sendo Deus e também Homem, tomou o castigo que é devido a cada pessoa sobre si mesmo. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” João 3:16 Isto é o tal “converter” de uma forma resumida, mas que posso dar uma explicação epistemológica mais a alargada.